Bet com t mudo

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BET COM T MUDO... Quem me conhece, reconhece? Já me imagino receptora deste blog. Quem é esta mulher? Quem é esta Eli, Elisa, Betina, Betuska, Betî, resumida numa Bet com t mudo? Esta afirmação diminuta diz (ou desdiz?) uma identidade... Assim, quem sou eu? Sou (sim) uma idealizadora das pessoas, das relações, das amizades, das produções minhas e dos outros. Consequência: um sofrimento que perdura... na mulher crítica que procura saber e tomar consciência finalmente de quem é e do que ainda pode fazer (renascer?!) nesta fase da vida, um envelhecimento em caráter de antecipação do inevitável. Daí a justificativa do blog. Percorrer olhares, visualizar controvérsias, pôr e contrapor, depositar num receptor imaginário (despojá-lo do ideal, já que eu o sou!) uma escrita em que o discurso poderá trazer uma Bet com t falante... LEITURAS, ESCRITAS, SIGNATURAS...

terça-feira, 21 de março de 2023

MARCAS DE FERRAR (PARTE II)

Para esta Parte II de minha pesquisa Marcas de Ferrar apresento estas análises tendo como referência   Ariano Suassuna e Guimarães Rosa... como um folhetim, continuarei a apresentar outras considerações em outros textos e autores... talvez seja mais proveitosa esta leitura aos poucos.

MARCAS NA LITERATURA: FERRANDO GENTE E GADO

 

Ariano Suassuna (1927-2014), em seu romance A Pedra do Reino, utiliza-se de alguns desenhos, típicos de ferros, e faz alusões à sua simbologia. Com a devida licença:

 

"...é que, na espádua esquerda de Dom Pedro Sebastião, tinham ferrado, a fogo, um ferro desconhecido e que não é nenhum dos ferros familiares de ferrar boi do Sertão da Paraíba! Eu sei, porque no nosso "Instituto Genealógico e Histórico do Sertão do Cariri" temos um arquivo e registro desses ferros, arquivo que eu organizei por sugestão do Doutor Pedro Gouveia!

- Você ainda se lembra como era o ferro?

- Me lembro como se fosse hoje, Excelência! Era uma espécie de lua, ou melhor, para ser mais fiel à nobre Arte da Heráldica, um crescente, com as pontas viradas para cima e encimado por uma cruz.

- A marca do ferro na espádua de seu Padrinho era recente?

- A queimadura era recentíssima! Quando a gente entrou na torre, sentia-se ainda a catinga meio fumaçada e polvorenta de carne de bicho ferrada!

- E não havia nenhum sinal do fogo onde esquentaram o ferro?

- Nenhum, Excelência! Eu não já expliquei que no aposento elevado da torre da capela não havia nada, a não ser o sino?" [1]


A partir dessa descrição “uma espécie de lua, ou melhor (...) um crescente, com as pontas viradas para cima e encimado por uma cruz”, visualizamos o ferro descrito. Justaposição de um símbolo muçulmano (o crescente) e um símbolo cristão (a cruz). Uma leitura subliminar dessa imagem indica, pela posição (encimado), que a cruz parece dominar ou subjugar o crescente. Assim, como na História da cristandade que nos foi contada, através das Cruzadas pela libertação de Jerusalém nas mãos dos “infiéis” muçulmanos.

Se “no aposento elevado da torre da capela não havia nada, a não ser o sino?" essa pista, esse sino, também não representa/simboliza o signo/adivinha que invocara Pedro Quaderna um pouco antes: "Para o meu enigma, portanto, só um Decifrador brasileiro e de gênio!"  (p.293)

Decifrar pistas, indícios, faz parte da natureza humana desde os tempos do homem primitivo, à caça de animais ou de inimigos. Essa capacidade foi sendo aperfeiçoada no decorrer das múltiplas necessidades históricas e sociais, incluindo diagnósticos mitológicos e medicinais. Gênese da Semiologia e Semiótica, respeitando diferenças contemporâneas em suas respectivas definições.

            Suassuna, ou Quaderna, nos desafia, pois, para esse “crime indecifrável” em um “sertão” imaginário, entre cavalhadas e emblemas, de lutas entre mouros e cristãos, de narrativas lendárias da Pedra do Reino em seu romanceiro epopeia. 

            Para decifrar o crime em si, suspense na trama da narrativa, é a Semiótica que vai nos dar as pistas nesse horizonte simbólico. Vista como a teoria geral das representações, que leva em conta os signos em todas suas formas e manifestações que assumem - linguísticas ou não – a Semiótica enfatiza o significado que lhes atribuímos. Por aqui caminhamos. E vamos procurar chegar ao cerne dessas leituras, decodificações em processo.

Também Guimarães Rosa (1908-1967) em A Hora e a Vez de Augusto Matraga "ferra" o seu personagem-título: 

"E, aí, quando tudo esteve a ponto, abrasaram o ferro com a marca do gado do Major - que soía ser um triângulo inscrito numa circunferência -, e imprimiram-na, com chiado, chamusco e fumaça, na polpa glútea direita de Nhô Augusto. Mas recuaram todos, num susto, porque Nhô Augusto viveu-se, com um berro e um salto, medonhos." [2]


A imagem descrita é facilmente visualizada: “um triângulo inscrito numa circunferência”.



 

0 triângulo, na concepção católica, representa três pessoas divinas numa só. E quem "cura" Matraga são três: o casal de pretos pobres e o padre. A circunferência, o círculo, não é menos simbólico e mágico: sem princípio nem fim, tem uma energia poderosa. Protege de espíritos maus além de envolver e prender a energia mágica que, descrita e enfatizada em rituais antigos, é necessária para a concentração.


Realmente, é nesse instante da narrativa, um corte fundamental, que se inicia também uma nova fase da vida do pecador Matraga. Mesmo que tenha caído numa alegoria do abismo, é, paradoxalmente, o instante em que o personagem "viveu", para purgar seu passado até sua redenção, quando chega sua “hora e vez”.


É evidente que a função literária, artística, perseguida por ambos os escritores citados, vai além de uma possível simplificação da simbologia nos ferros, fazendo parte intrínseca do entendimento da narrativa.


Em A Hora e a Vez de Augusto Matraga, o ferro é a própria marca do pecado, é a violência não só física, mas o estigma do mal. Ou do bem? A marca de Deus ou do Diabo? O Major representaria o quê, ao lançar Nhô Augusto na desgraça ou na salvação? Poderíamos separar com nitidez esses limites? Dá para decifrar o significado destes indicadores sígnicos? A leitura não se fecha numa única exegese. Ao contrário, desafia gerando uma cadeia de significações e possibilidades.


Outro índice simbólico está no lugar da marcação. Enquanto Nhô Augusto é marcado na “polpa glútea”, isto é, no traseiro, humilhação ainda maior, em Suassuna, Dom Pedro Sebastião é marcado na “espádua esquerda”, ou seja, no ombro, com esse vocábulo talvez mais nobre: “espádua”. Aliás, “polpa glútea” também é mais honroso e erudito – afinal Guimarães era médico - do que seu correspondente vulgar: o traseiro ou outro jargão escatológico. Tem ares de um literatura cavalheiresca, se assim podemos caracterizar o estilo desses grandes nomes de nosso cânone literário. Um respeitoso leitor também deve segui-los...



[1] SUASSUNA, Ariano, Romance D'A PEDRA DO REINO e Príncipe do Sangue do Vai-E-Volta. Rio: José 0lympio,1976, p.294

(2) ROSA, J. Guimarães, A Hora e a Vez de Augusto Matraga in Sagarana. Rio: José 0lympio, 1976, p.335



terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

MARCAS DE FERRAR (Parte I)

 Como um folhetim... vou publicar por aqui uma sequência de minha pesquisa sobre MARCAS DE FERRAR, seja gado ou gente, signos do sertão ou de outras geografias, abrangendo muitos desafios e histórias. Espero atingir interesse do público... além da academia, olhares em diversos focos, uma escrita em divulgação... 

Esta Parte I é uma apresentação. Na parte II, MARCAS NA LITERATURA: FERRANDO GENTE E GADO, vou mostrar como Ariano Suassuna, Guimarães Rosa e José de Alencar trouxeram estas marcas em algumas de suas obras e como elas funcionam simbolicamente no contexto da narrativa. Aguardem para breve...

 

 Em memória do Professor Roberto Benjamim (1943-2013)


"Pastar nos grandes prados do visível."              

Murilo Mendes

                                                                                                       (in Poliedro, Rio: José 0lympio,1972, p.140)

 

                                                                                                       (Foto de Sílvia Nonata)

Ferro de marcar gado

Proprietário: Januário José Moreira (1899-1985)

Medidas: Comprimento total: 26,5 cm.  Altura da frente: 9 cm.  Diâmetro da roda: 3,2 cm

Visualmente, na frente, que é a marca, temos uma estrutura básica centrada num círculo; simetricamente uma ponta para o alto, achatada como um prego e outra ponta para baixo, abrindo-se em duas pequenas pontas laterais. O círculo é um símbolo protetor de grande força mística. As pontas laterais, além de, esteticamente, apoiar a peça, lembram as possibilidades de olhar de um lado para o outro.

Ferro usado na primeira metade do século XX. Um vaqueiro tomava conta de vários animais de vários donos. De cada 4 bezerros que nasciam, um era do vaqueiro.

Localização: Pacus, vilarejo às margens do rio São Francisco e que hoje está submerso, após construção da Barragem de Sobradinho. O local pertencia a Santana do Sobrado que, por sua vez, era distrito do município de Casa Nova, Bahia.


Paulista, aportada em Petrolina, nas margens do rio São Francisco, nos idos dos anos 70, me vi envolvida – e desafiada – por um ambiente prenhe de aspectos culturais inteiramente novos para mim. Meu interesse por esses aspectos me motivou a refletir sobre eles e a buscar compreender, na verdade dos costumes e usos, um pouco da sabedoria sertaneja e de sua arte, reflexo de uma época e de um modo de viver.

Num primeiro momento nada mais vi que um ferro de marcar boi, como me foi dito e apresentado. Estranhei. Por que ele não mostrava as iniciais do dono, semelhança visual que é a referência lógica, costumeira, como eu conhecia?

Mas, nem sempre. Pouco a pouco, vim a saber, uma gama de respostas e um mundo de significados.


Na sequência, um causo me foi narrado. Nada tão instigante como esta narrativa preciosa e simbólica: um novo amigo e vizinho, dono de algumas propriedades rurais, tinha uma delas com o nome, já herdado, de “Lagoa do Meio”. Entretanto, aconteceu lá um acidente com seu filho menor, que quase ia morrendo afogado no açude. Por causa disso, ele mudou o nome da roça para "Ressurreição" e a marca do ferro para um pequeno sol, pois esse, esclareceu, significa a vida, a luz. 

 

Além dessa explicação, a leitura de Iúri Lotman me alargou os caminhos:

 

             "A compreensão da cultura como informação determina alguns métodos de pesquisa. Ela permite examinar tanto etapas isoladas da cultura como todo o conjunto de fatos histórico-culturais na qualidade de uma espécie de texto aberto, e aplicar em seu estudo métodos gerais da Semiótica e da Linguística Estrutural."  [1]

 

O paradigma indiciário ou semiótico é, pois, a referência fundamental para análises, observações e comparações históricas e culturais.


Assim, este trabalho não pretende ficar como um simples registro das marcas de gado do Sertão nordestino, espaço a que me limitei em princípio, pois essas marcas são de muitos espaços, daqui e d´além-mar, e de muitas histórias. Minha pretensão não implica também nenhuma resposta definitiva, já que inclui, na abertura intersemiótica, um feixe de possibilidades.


Primeiramente as pesquisas in loco: vaqueiros, proprietários de algum gado ou de roças, ferreiros, gente honesta e boa a dar informações. E ferros, muitos ferros, a maioria já sem uso, todos ganhados de presente. Diziam: já não servem para nada.... Comecei então uma pequena coleção. Detalhando esse olhar inicial, iniciei um projeto de pesquisa que vem se desenrolando há décadas.


Tendo retrabalhado esse projeto desde 2022, ele ficou extenso para ser colocado aqui de vez, por isso, estou optando por apresentá-lo em partes, facilitando, espero, a leitura e os caminhos que possam ser abertos, aprovados ou questionados. O veículo blog me pareceu uma alternativa. Estou à disposição... por aqui ou por este contato:

                       elisabetmoreira2014@gmail.com



[1] LOTMAN, Iúri M., "Sobre o Problema da Tipologia da Cultura" in Semiótica Russa, São Paulo: Perspectiva, 79, p.32



 

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

RE-VISITANDO A OFICINA DO ARTESÃO DE PETROLINA

 

A Oficina do Artesão Mestre Quincas em Petrolina, neste janeiro de 23, me surpreendeu positivamente.  Fiquei sabendo que a Oficina passou por uma reforma, em 2022, feita pela Prefeitura de Petrolina. Realmente, pude constatar mais espaço, seja para os artistas e artesãos, seja para os visitantes. Dentre as obras realizadas, foram requalificados cinco ateliês temáticos, madeira, pedra, barro, esculturas e tecidos, com grande variedade de produtos. Já se ressaltou que não há lugar em Pernambuco que concentre tantos artesãos em atividade e tantos estilos diferentes.

Além do espaço para exposição e vendas, é muito interessante observar artesãos trabalhando, principalmente com a madeira, esculpindo quase sempre carrancas, um ícone simbólico da região, e o produto mais vendável.  Notei que até o espaço no “quintal” da oficina estava organizado, visto que serve de entrada da madeira bruta para o trabalho dos artesãos escultores.

A Oficina tem o nome de Mestre Quincas. Somente pesquisando, no portal que se abre via web, fico sabendo que Mestre Quincas foi o apelido de Joaquim Correia Lima, considerado o primeiro artesão de Petrolina. Nasceu em 1895 na cidade vizinha de Juazeiro da Bahia e morreu aos quarenta anos afogado no Rio São Francisco. Frequentou a Escola de Belas Artes de Salvador e destacou-se em Petrolina quando foi chefe de pintura da Leste Brasileira e executou trabalhos importantes na Estação Ferroviária de Petrolina e em outros locais da cidade.

Teria algum registro de seus trabalhos? Nada encontrei, mas seria promissor para a história da cidade e da própria oficina pesquisar. De todo modo fico a imaginar de quem partiu a ideia para homenagear este Mestre que, numa oficina de artesãos dominantemente de gente que “aprendeu fazendo”, autodidatas, ele frequentou Escola de Belas Artes, tinha um emprego oficial e foi “chefe de pintura”. Portanto, uma pessoa com formação escolar e artística diferenciada.

Faço essa observação, porque conheço somente dois artesãos (inclusive a única mulher) que frequentam a Oficina e dela fazem parte que cursaram, ou cursam, Artes Visuais na Univasf – Universidade Federal do Vale do São Francisco – curso relativamente novo na região. E também faço alguns questionamentos.

Qual a diferença entre o artesão e o artista? Quando alguém é considerado Mestre? Há um significado especial nesta palavra. O Mestre não é apenas um professor, mas, na hierarquia do saber conseguido, um grau elevado em seu mister. Mister de mistério, de segredos do ofício... Categorias que remontam à época medieval, ressignificadas e discutidas ainda nos dias de hoje. Sobretudo na forma de um trabalho artesanal que teve continuidade na tradição popular.

Para quem se interessa por este assunto, recomendo o livro de Antonio Santoni Rugiu “Nostalgia do Mestre Artesão” (Campinas, SP: Editora Autores Associados, 1998). O artesanato que, historicamente, acabou por sucumbir sob o domínio da manufatura e da produção industrial generalizada, ainda sobrevive e exerce seu fascínio na simbologia de que se impregnam suas formas exteriores, memo despidas de seu conteúdo originário.

De certa forma abordei esse tema num trabalho meu “Carrancas do sertão: signos de ontem e de hoje” (Petrolina: SESC, 2006), focado no artesanato das carrancas, originariamente nas proas das barcas do rio São Francisco e sua evolução até o modelo das “carrancas vampiro”, esculpidas em série, completamente diferentes das que lhe deram origem e justificativa.

Por outro lado, cito uma publicação “Carina, isso não é coisa de mulher”, catálogo da exposição individual de esculturas de Carina Lacerda com curadoria de Flora Assumpção. (Flora Assumpção, Carina Lacerda: organização: Flora Romanelli Assumpção – Juazeiro/Ba: Univasf 2021.) A exposição foi realizada no SESC Petrolina, na Galeria de Artes Ana das Carrancas. Ressalte-se que Ana das Carrancas (1923-2008), a dama do barro, como ficou conhecida, era uma artesã que começou como “loiceira”, vendendo nas feiras livres de Petrolina, até que, premida pela necessidade de sobrevivência, teve uma espécie de iluminação e passou a modelar carrancas em barro, com um estilo próprio, marcadas pelos olhos vazados em homenagem ao marido cego. Seu trabalho foi aos poucos sendo reconhecido como arte e ela recebeu várias homenagens na cidade, no estado e no país. Mas Dona Ana nunca trabalhou na Oficina do Artesão, somente em sua casa, até ganhar moradia e local de trabalho com o nome, esse sim, de Centro de Artes Ana das Carrancas, hoje sob a responsabilidade de suas filhas.

No Catálogo, o depoimento de Carina Lacerda, datado de maio de 2020: “Em 2005 decidi me dedicar profissionalmente à arte de fazer esculturas em madeira. Como não havia escolas de arte na região, decidi procurar um espaço da cidade conhecido por Centro de Artes Mestre Quincas, localizado na Vila Eduardo, em Petrolina-PE.” Hoje, Carina tem um trabalho reconhecido, especialmente marcado por suas carrancas de peito, uma afirmação de gênero, tanto na escultura, como em sua vida militante.

Mas o que também me chama a atenção é o fato de ela ter colocado “Centro de Artes Mestre Quincas” e não Oficina do Artesão. Centro de artes carrega um significado completamente diferente de uma oficina de Artesanato. Acredito que haja a possibilidade de um diálogo entre essa nomenclatura e os objetivos daquele espaço. Quem são artistas? Quem são artesãos? Quem são mestres? Aprendizes de artes e ofícios? Como caracterizar diferenças e semelhanças?

Este artigo não tem a intenção de fazer um levantamento dos artesãos, dos produtos ali comercializados ou dar respostas a tantos questionamentos. Acredito que, além da curiosidade e do insólito desta Oficina, há muita possibilidade de trabalho – não só para os artistas – mas também para os estudantes e pesquisadores da região, em diversos níveis e cursos; fica o desafio.

 

As fotos a seguir são de autoria de Lucas do Val, tiradas em 6 de janeiro de 2023. Sem identificar e sem legendas, apenas oferecer uma amostragem da Oficina neste janeiro.

 Visite a Oficina você também, vale seu olhar...















Referência:

https://depetrolinaparaomundo.com.br/conhecendo-a-oficina-do-mestre-quincas-em-petrolina/

da turismóloga Tais Farias

http://www.portalturismobrasil.com.br/atracao/6470/Oficina-do-Artesao-Mestre-Quincas

 

sábado, 31 de dezembro de 2022

POR QUE NÃO VI PELÉ JOGAR...

 

Pelé nasceu em 1940, eu, essa que vos escreve, em 1946... A glória do futebol começou aos 17 anos para ele, na primeira copa de vindouros anos, na longínqua Suécia, no título e na marca inesquecível, do 5 a 2... Desde meus 12 anos jamais esqueci a referência e a origem dessa glória. Eu, sim senhor, que nunca me liguei muito em futebol...

Meu pai começou a torcer pelo Santos Futebol Clube, certamente por causa de Pelé, como muitos outros brasileiros. Vitória após vitória em décadas e a consagração de seu talento. Moramos algum tempo no Largo das Perdizes, em São Paulo, relativamente próximo ao Estádio do Morumbi. Então, ele não perdia um jogo do Santos e vibrava com as jogadas, dribles e gols de Pelé. E ainda assistia pela TV reprises de jogos ou reportagens sobre o ídolo.

Éramos amigos, meu pai e eu, e ele gostava de minha companhia, penso. Desde mocinha, no interior, me levava ao cinema, geralmente às quartas-feiras, quando passava películas estrangeiras ou filmes antigos, diferente dos bang-bangs e sucessos hollydianos dos finais de semana. Ele me convidava também para ir ao estádio, mas eu, a essa altura, moça feita, com um namorado “firme”, não aceitava. Irritada e enciumada, pois ambos iam juntos,  preferia ficar em casa.

Não foi esnobismo portanto, mas, por um bom tempo me arrependi de ter perdido a oportunidade de ver o grande Pelé em campo, lugar onde, realmente, nessa mania nostálgica de realeza, foi majestade... Mais tarde tentei me justificar, pois o homem Edson Arantes teve atitudes bem diferentes da nobreza idealizada, quando renegou sua filha fora do casamento, ou, quando soube de outras ações bastante questionáveis, celebridade que se tornou. Inclusive porque havia uma bifurcação de identidade, pois ele mesmo se referia a Pelé em terceira pessoa e eu estranhava isso, mas criticamente não o absolvia... Hoje, sou mais condescendente, entendendo melhor a ambiguidade da natureza humana.

Oriundo de família pobre, negro, sem maiores estudos, Pelé encarnou o mito do jogador excepcional, bajulado pela imprensa e pela mídia que só lhe salientavam qualidades, assegurando seu papel de destaque e sua ascensão vitoriosa por décadas, celebridade no mundo de celebridades. Inclusive, em algumas reportagens especiais, salienta-se também o papel do filantropo humanitário, além de sua naturalidade e trato cordial com pessoas das mais diversas camadas sociais. Um ídolo, um ícone, um rei... diversos epítetos e exaltação de um ser humano invulgar.

Como já analisou o ensaísta Edgar Morin, sai de cena o herói trágico dos mitos antigos e entra em seu lugar o herói amado, aquele que faz parte da realidade com elementos de um ideal imaginário, estimulado pela identificação do público em diversas instâncias, os modernos heróis “olimpianos”. Modelos de vida, representam os mitos da autorrealização. Sim, neste sentido, Pelé encarna este modelo. Reconhecidamente um talentoso jogador de futebol, foi um campeão memorável neste clima competitivo dos espetáculos midiáticos de jogos e campeonatos em série e da sustentabilidade da imagem de um ídolo contemporâneo.

Porém, como mulher, aproveito destas digitadas linhas para acrescentar que meus olhos se ar(regalavam) com aquele espetáculo - ainda que televisivo - da masculinidade exalada no conjunto dos times de futebol... com as pernas de fora, em tempos de shorts e não aqueles horrorosos calções de hoje. Acho que, por isso, os jogadores atuais querem se projetar nos cortes de cabelo, sobrancelhas e tatuagens...

Santos x Fluminense (1961)

(https://www.vavel.com/br/futebol/2017/05/12/fluminense/787109-flu-x-santos-criacao-da-expressao-gol-de-placa.html)

Tenho também outra lembrança de Pelé, uma foto admirável, mas que não encontrei nesta enciclopédica galeria google, nem lembro o autor ou o veículo em que foi divulgada. Talvez alguns se recordem desta foto, Pelé no vestiário, aquele corpo negro (sim, uma perfeição) coberto por uma contrastante espuma branca. Talvez vejam alguma semelhança nesta foto... o jovem atleta flagrado em seu banho. Vendo o ídolo pelo seu lado humano, como todos nós.


(https://twitter.com/pele/status/1160255893465903105)

Para finalizar, algumas considerações sobre o Pelé mitificado. Neste século XXI, a banalização do papel do mito em nossa cultura, hoje midiática e consumista de ídolos descartáveis, me faz pensar no que Pelé significa, a durabilidade de sua projeção, neste momento simbólico de sua partida, no jogo inadiável da finitude humana.

Portanto, neste rol de homenagens e elegias para Pelé, o atleta, vamos acompanhando o significado de um herói brasileiro que transmite orgulho para seu público e que, sem dúvidas, marca a história futebolística mundial.

Elisabet Gonçalves Moreira

Petrolina, 30/12/2022


segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

O "CORRIDO" MEXICANO E LITERATURA DE CORDEL DO BRASIL: SEMELHANÇAS?

 

Sim, há semelhanças, embora, reconheça-se, haja muito mais diferenças. O estudo comparativo entre corridos e literatura de cordel é um desafio instigante e merece um aprofundamento não só acadêmico, como de suas características peculiares. Este trabalho pretende mostrar pressupostos básicos e suas possibilidades de ampliação em leituras e pesquisas, com paralelos em ambas as referências.

O estudo das origens da literatura de cordel e de suas variantes evidencia que esse modelo de literatura popular não é exclusividade do Brasil ou restrita ao Nordeste, mesmo porque o gênero, em sua essência, foi trazido pelos colonizadores europeus para as Américas. Nas terras colonizadas, essa literatura adquiriu feição distinta no diálogo com outras realidades, histórias particulares e atores diferenciados.

O nome “corridos” foi tomado, ao que tudo indica, dos romances corridos de Andaluzia, na Espanha, assim chamados pela maneira fluente com que eram interpretados. Em sua origem, eram canções feitas em seis linhas, versos que tinham uma só toada, sem estribilho. Como dizemos, iam “corrido”, correspondente, em português, ao particípio passado do verbo correr e depois substantivado. No Brasil, na capoeira e no samba-de-roda há também corridos que, embora não tenham esse nome, são assim cantados, com fluidez e sequencialmente.

Os corridos, tipicamente mexicanos, são, pois, narrativas originadas da literatura popular oral em forma de versos e que migraram para as “folhas soltas”, ou volantes, impressas no final do século XIX e início do século XX, com o desenvolvimento do setor gráfico. É impossível dissociar o estudo dos corridos da História do México, pela força que tiveram nos acontecimentos históricos e revolucionários daquele país, atuando como importante meio de comunicação e informação.  Sob esse aspecto também o constatamos aqui no Brasil, embora com diferentes motivações e interesses.

Naquela época foi produzida a maioria dos exemplares conhecidos, sobretudo os corridos que se referem aos líderes revolucionários, religiosos ou populares, assim como seus feitos e, inclusive, seu “martírio”, mortes brutais, traições e assassinatos. Daí para a mitificação é um salto, algo que a literatura popular sempre fez com seus ídolos e referências significativas.

As folhas soltas, impressas com os versos dos corridos, eram vendidas por centavos, exibidas geralmente sobre a terra batida e seguras por pequenas pedras nas feiras livres, festas de comunidades e encontros de corridistas. O vendedor geralmente fazia uma espécie de “comercial” do tema do corrido para atrair os compradores.

Assim como os vendedores de folhetos de cordel. Cheguei a ver, na feira livre de Juazeiro, Bahia, ainda nos anos 70, vendedores abrindo sua mala com os folhetos, lendo alguns, improvisando versos e chamando a atenção do público. Esses folheteiros andavam de cidade em cidade, uma vida nômade à procura de um público que gostasse de poesia e do que, sob esse gênero, lhe pudesse ser oferecido. Folhetos também eram vendidos em barracas nas feiras, aí, sim, alguns dependurados em cordinhas. Hoje, ainda são colocados à mostra, com prendedores de roupa, expostos num tabuleiro ou protegidos em saquinhos plásticos, comercializados em diversos lugares, desde feirinhas a bancas de revista.

Ilustração de Fábio Fernando (Arquivo da Estação do Cordel)
Nas cidades mexicanas, os corridos, impressos como folhas soltas, em vários tamanhos, às vezes frente e verso, eram vendidos por garotos ou desempregados nas esquinas e ruas dos bairros populares onde tinham público certo, já que a elite não apreciava este tipo de comunicação, “popular” demais para um gosto burguês e sofisticadamente europeizado.

A característica fundamental do corrido é mesmo a espontaneidade, sua linguagem e música simples, concisas. A estrutura formal mais usada é o quarteto de oito sílabas, rimas abab, o que permite que vários corridos sejam cantados com uma só melodia. Este caráter também permite sua atualização, modificando-se as letras a depender das circunstâncias. Tanto assim que há muitas versões para um mesmo corrido.   

Um exemplo é “La Cucaracha” – A Barata -, um corrido que acompanhou a Revolução Mexicana. Para tanto, temos La Cucaracha porfirista, La Cucaracha villista, La cucaracha mojada.

As ilustrações dos corridos impressos são completamente diferentes da xilogravura, característica das capas do cordel brasileiro “tradicional”. Trabalhava-se sobre pranchas de metal, impressas junto com a letra do molde. José Guadalupe Posada (1852-1913) foi o mais importante ilustrador do início do século XX no México. Posada usava duas técnicas, o da água forte em relevo e o da linha branca, também chamada de gravação em metal tipográfico, intercalando-as muitas vezes.

Ilustrando a capa dos folhetos de cordel, no Brasil, há que se considerar o trabalho artesanal da xilogravura, entalhada numa placa de madeira com a ajuda de instrumentos cortantes, deixando em relevo a figura ou forma – matriz - que se pretende imprimir. Nesse sentido, é uma forma singular e representativa da expressão visual e artística desses ilustradores, às vezes o próprio poeta, mesmo que, hoje, seja pouco utilizada, pois as gráficas se modernizaram para grandes tiragens, usando outras técnicas de impressão.

   Capas de folhetos de cordel, ilustradas com xilogravuras.

Na temática dos corridos, não muito diferente dos folhetos brasileiros, encontramos narrativas que cantam fatos fictícios ou não, trágicos ou cômicos, desastres naturais, amores e tragédias, vida e morte de bandoleiros e assuntos do cotidiano. Contemporaneamente, fazem muito sucesso os “narcocorridos”, tidos por alguns como uma forma de resistência, sobretudo na fronteira com os Estados Unidos da América. O nome já indica sua especificidade, ao prantear os heróis e destacar os carteis das drogas.

O corrido, histórico ou não, também pode ser um meio, não só para conhecer o passado, como para compreendê-lo, principalmente para aqueles distantes do poder e dele alijados econômica e socialmente. As desigualdades e injustiças sociais sempre estiveram presentes na história do México. Alguma semelhança?

Há uma preocupação, entre os estudiosos mexicanos, em registrar também a pauta musical dos corridos. No Brasil, acho essa prática pouco difundida. Até mesmo a performance oral da literatura popular é uma preocupação relativamente recente. Não sei se porque ainda se pode conviver com estas manifestações, não há um estudo regular de registros, seja por pesquisadores, seja como memória do que representam.

A expressão vocal, para quem canta ou quem fala, é o meio pela qual a mensagem a ser transmitida deve ser recebida e entendida pelo ouvinte. Para isto é necessário que sejam colocados sentimentos e emoção na mensagem. Sentimentos estes que serão expressos através da postura corporal como um todo e, claro, através da voz.

Um pequeno levantamento comparativo dá ideia das semelhanças entre as estruturas dominantes tanto dos corridos como de nossa literatura de cordel, hoje assim reconhecida. Seja na temática, seja na estrutura da versificação.

O corrido considerado tradicional, histórico, sempre será narrado em primeira ou terceira pessoa e flui do princípio ao fim de uma testemunha do fato ou de um relator bem-informado. Geralmente há um início muito claro ao chamar a atenção do público ouvinte ou leitor ou se pedir permissão para iniciar o contar/cantar:

Para ponerme a cantar                Para me pôr a cantar

Pido permiso primero,                Peço primeiro permissão,

Señores, son las mañanas            Senhores, são as mañanas

De Benjamin Argumedo.            De Benjamim Argumedo.


(Fragmento do “Corrido Del General Benjamín Argumedo”, de 1916, sem autoria especificada)

Observação: pelo que pude depreender, a palavra “mañanas” é derivada de maña, cujo significado básico é manha, destreza, habilidade, astúcia. Daí, são as mañanas e as mañanitas (como uma variante dos corridos) na narrativa que se anuncia.

Voy a cantar un  corrido                    Vou cantar um corrido

que vale la pura plata,                       que vale uma pura prata,

donde les doy la noticia                     pois lhes dou a notícia

de la muerte de Zapata.                    da morte de Zapata.   

              

      (Estrofe inicial do corrido “Triste despedida de Emiliano Zapata”)

Invariante é a data precisa da história, às vezes até a hora, constatando um fato verdadeiro, vivido. Principalmente nos corridos que registram um fato histórico, acontecido, este procedimento é parte essencial em sua estrutura.


El jueves veintiocho, del mes de febrero,              Na quinta-feira, 28, do mês de fevereiro,

del año noventa y cinco,                                           do ano de noventa e cinco,

todos em Ameca, para la estación                           todos em Ameca, para a estação

iban com gran regocijo.                                              iam com grande alegria.


Eran las doce del dia                                               Eram doze horas do dia

y luego, luego al  momento                                     E logo, logo nesse momento.

silvó la locomotora                                                  Apitou a locomotiva

y se puso en movimiento.                                         E se pôs em movimento.


 (Fragmentos da “Bola Del descarrilamiento de Temamatla” – canción popular)

E, agora, fragmentos de folhetos de cordel, impressos e divulgados no Brasil:

Leitor, vou narrar um fato               No município de Flores              
legalmente verdadeiro               pertinho de São João
do que Lampião fizera                     enfrentou os revoltosos
a vinte de fevereiro                          o grupo de Lampião   
e a visita que fez                              deles morreram quatorze
em março a 4 do mês                       feridos saíram doze      
ao padre de Juazeiro                        fora o tenente Negrão.


 (Fragmento do cordel “Visita de Lampião a Juazeiro” de José Cordeiro)


Eu desejava, leitores

fazer uma história exata

mas como devem saber

que nem tudo se relata

mas para ver Lampião

pobre não tinha razão

só a tinha os de gravata

 

Perdão desta estrofezinha

que a fiz inconsciente

vou prosseguir na história

de Lampião o valente

me desculpe os de gravata

foi uma ideia insensata

dessa pena impertinente 

(...)

Meus leitores essa história

Que vosso poeta fez

O meu bisavô contava

Meu avô disse uma vez

O meu pai contou a mim

Eu hoje conto a vocês. – FIM


 (Fragmento do cordel “A Festa dos Cachorros” de José Pacheco)

O final de muitos corridos também segue uma estrutura padrão: se o início foi anunciado, o fim é uma despedida. A atenção do receptor faz parte de um leitmotiv essencial.

“Me despido amable concurrencia                  Me despeço amável audiência

me despido com grande dolor,                        me despeço com grande dor,

si acaso me ha sido imposible                         se acaso me foi impossível

si tal vez me há faltado la ciencia                   se talvez me faltou ciência

me dispense la plana mayor.”                         me dispense da lauda maior.


(Fragmento de “Trágico Fim de Juan Montes”, de Marciano Silva)

Se os corridos mexicanos não são iguais à nossa literatura de cordel, eles são um equivalente das expressões mais significativas da literatura oral, que se irmanam além de limites geográficos ou de diferenças linguísticas e históricas.

Um aspecto pouco ressaltado é a presença de mulheres poetas e participantes da revolução mexicana. Tanto os corridos, como os meios de comunicação, transformaram essas mulheres em heroínas que seguiram os soldados em campanha (las soldaderas) ou em prostitutas (las Adelitas). Evidentemente que esses dois arquétipos serviram – e ainda servem – à manutenção de uma ideologia patriarcal construída ao longo dos séculos. No Brasil, há importantes mulheres cordelistas e dispostas a se mostrarem em atividade, o que não é fácil, reconheçamos, em nosso contexto cultural, predominantemente masculino e machista.

O certo é que, como a literatura de cordel, também os corridos se mantêm à margem do cânone de uma “alta cultura”, por sua condição popular. Embora haja bons e maus poetas em quase toda literatura, o que, agora, não vêm ao caso, há um corpus de criações que alcança a literariedade, não só pelo uso da arte da palavra como de um conjunto artístico mais amplo, além do social e histórico que respaldam vivências e subjetividades.

E assim como no Brasil, com a hoje conhecida e reconhecida literatura de cordel, os corridos mexicanos continuam vivos, atuantes, fazendo parte do todo de uma cultura. Ainda que muitas vezes massificada, midiática, esta permanência se deve, sobretudo, ao seu caráter de arte popular, de uma comunicação que fala – e responde - aos corações e mentes de um povo.

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Nota: Bibliografia sobre o assunto é extensa. Apresentei um trabalho mais completo no I CONRCORDEL - I Congresso Regional sobre o Cordel - Auditório da FACAPE - PETROLINA-PE em maio de 2011, publicado nos Anais desse Congresso, que, infelizmente, não está disponível on line. Aqui retomei algumas partes e observações desse trabalho.

Referências bibliográficas:

FRANK, Patrick. Posada´s broadsheets: Mexican popular imagery, 1890-1910. Albuquerque/USA: University of New México Press, 1998, 264p.

MENDOZA, Vicente T. El corrido mexicano. México: Fondo de Cultura Econômica, 1974, segunda reimpressón, 467p.

WALD, Elijah. Narcocorrido : Un Viaje Dentro de la Musica de Drogas, Armas, y  Guerrilleros. Rayo, 2001, 352p.

Documentos eletrônicos:

CALDERÓN de La Rosa, Mario Antonio. Génesis y evolución Del corrido mexicano/Hipóteses preliminares. http://upload.wikimedia.org/wikibooks/es/9/9c/Anteproyecto.pdf - Acesso reativado em 6/12/22

Con su permiso... voy a contar un corrido. Vídeo-documentário. Universidade Autônoma de Chapingo, México, 1996:  . http://www.bibliotecas.tv/zapata/corridos/voy_a_contar_un_corrido.html

Corrido. http://es.wikipedia.org/wiki/Corrido

HERNÁNDEZ, Guillermo E. What is a Corrido? Thematic Representation and Narrative Discourse - Studies in Latin American Popular Culture. 18 (1999). University of California, Los Angeles. http://www.chicano.ucla.edu/center/events/whatisacorrido.html

La Cucaracha. http://pt.wikipedia.org/wiki/La_Cucaracha

TOSI, Marcela de Castro. Las soldaderas: mulheres na revolução mexicana de 1910 -  Revista Outras Fronteiras, Cuiabá-MT, vol. 3, n. 1, jan/jun., 2016 ISSN: 2318 - 5503 - https://periodicoscientificos.ufmt.br/outrasfronteiras/index.php/outrasfronteiras/article/view/184/pdf

VARGAS, Angel. El corrido, historia escrita por los trovadores ajenos al poder, em La Jornada, 30 de agosto de 1999. http://www.bibliotecas.tv/avitia/entrevistas/ent01.html

Petrolina, 6 de dezembro de 2022